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  1. Projetos/

Índice de Aptidão Urbana Pós-Desastres

Como definir onde reconstruir depois de um desastre, de forma segura, rápida e com baixo custo?
Período
2024–2025
Local
Vale do Taquari, RS: Arroio do Meio, Colinas, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Muçum e Roca Sales
Parceiros
SEDUR/RS (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano), Univates, prefeituras municipais
Meu papel
Analista geoespacial da equipe de georreferenciamento: processamento de dados espaciais, modelagem multicritério de aptidão e produção de mapas para os relatórios municipais.
Dados
MapBiomas (2022) · Áreas urbanizadas IBGE (2019) · Base cartográfica FEPAM/SEMA · Modelo de terreno ANADEM · Cicatrizes de movimentos de massa UFRGS (maio 2024) · Dados hidráulicos IPH/UFRGS
Ferramentas e métodos
QGIS · Python · Análise multicritério · Álgebra de mapas raster (10 m)

O desafio
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As enchentes de setembro e novembro de 2023 e de maio de 2024 arrasaram bairros inteiros no Vale do Taquari. Em Muçum, 79% da população foi atingida; em Roca Sales, 55%; em Arroio do Meio e Colinas, quase metade. Em Cruzeiro do Sul, 600 das 850 casas do bairro Passo de Estrela foram destruídas.

Famílias precisavam ser reassentadas, e os municípios precisavam de respostas rápidas: quais áreas são seguras, quais já têm infraestrutura e onde priorizar novas moradias, equipamentos públicos e serviços? O Governo do Estado contratou um estudo técnico para apoiar essas decisões enquanto os planos diretores eram revisados.

Abordagem
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Combinamos o zoneamento de risco de cada município (inundação, zonas de arraste e suscetibilidade a movimentos de massa) com um modelo multicritério de aptidão. Cada célula de 10 m do território recebeu uma nota de 1 a 100 indicando o quanto é adequada para nova ocupação urbana.

Como funciona o índice de aptidão
  1. Restrições
    • Áreas de Preservação Permanente (Código Florestal)
    • Zonas de risco: alto (0,1), médio (0,4), baixo (0,8), sem risco (1)
  2. Fatores
    • Uso do solo: urbano 100, agropecuária 80, natural 40
    • Distância à sede urbana (faixas de 1 km)
    • Distância a rodovias (faixas de 250 m)
    • Declividade: acima de 30% excluída por lei
  3. Álgebra de mapas

    Média ponderada dos quatro fatores × restrição de risco → superfície de aptidão (muito baixa a alta)

  4. Diretrizes

    Sobreposição com projetos em andamento, tendências de crescimento e contribuições dos técnicos municipais → áreas de ocupação prioritária

A lógica de pesos favorece o crescimento compacto: áreas já urbanizadas ou próximas da infraestrutura existente recebem notas maiores, a vegetação nativa é protegida e declividades acima de 30% são excluídas, conforme a Lei de Parcelamento do Solo (Lei 6.766/79).

Resultados
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  • Um mapa de aptidão para cada um dos sete municípios, com quatro níveis (muito baixa, baixa, média, alta) e áreas não aptas à urbanização.
  • Diretrizes preliminares de ocupação prioritária para habitação, equipamentos públicos, comércio e serviços, discutidas com o grupo de apoio de cada prefeitura.
  • Recomendações para áreas já consolidadas em zonas de alto e médio risco: planos de contingência, monitoramento contínuo, melhorias de drenagem e engajamento da comunidade.

Impacto
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O estudo deu aos municípios uma ferramenta emergencial de apoio à decisão durante a reconstrução e uma base técnica para os novos planos diretores. Todos os mapas foram publicados na infraestrutura de dados espaciais do Estado, para que técnicos e população possam explorá-los de forma interativa.

Um artigo científico sobre o método será publicado em breve.

Mapas
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Mapa regional de aptidão à urbanização, com grandes áreas em vermelho e laranja nas encostas íngremes e áreas verdes e amarelas em terrenos planos próximos às cidades
Aptidão à urbanização na área de estudo, de não apta (vermelho) a alta (verde).
Seis pequenos mapas de Muçum, um para cada camada de entrada, coloridos de ferrugem (nota 1, menos apto) a laranja, amarelo e verde escuro (nota 100, mais apto): uso do solo, distância à sede, distância a rodovias, declividade, suscetibilidade a inundação e a movimentos de massa
As seis camadas de entrada para Muçum, cada uma convertida para uma escala comum de aptidão.
Mapa de aptidão de Muçum de ferrugem (não apta) a verde escuro (alta aptidão), com áreas de alta aptidão nas encostas mais suaves e áreas não aptas ao longo do Rio Taquari
Muçum: aptidão à urbanização em quatro classes.
Detalhe da área urbana de Muçum sobre imagem de satélite, com áreas de alta aptidão em verde escuro e de baixa aptidão em laranja claro
Muçum: detalhe das áreas de alta aptidão em torno da sede.
Mapas de localização com os sete municípios estudados destacados em cinza escuro no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul e na bacia Taquari-Antas
Área de estudo: sete municípios do Vale do Taquari.

Relatórios
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Relatórios técnicos entregues à SEDUR. Explore os mapas interativos no portal de dados espaciais do Estado.

1. Zoneamento de risco — suscetibilidade a inundação e a movimentos de massa, zonas de arraste: Arroio do Meio · Colinas · Cruzeiro do Sul · Encantado · Estrela · Muçum · Roca Sales

Mapa de zoneamento de risco de Arroio do Meio com alto risco em vermelho ao longo dos rios e encostas, médio em laranja, baixo em verde e sem risco em amarelo
Arroio do Meio: zoneamento de risco.
Mapa de Arroio do Meio com áreas suscetíveis a inundação em laranja claro ao longo dos rios Taquari e Forqueta e a área urbana atingida em laranja escuro
Arroio do Meio: suscetibilidade a inundação e áreas urbanas atingidas em 2024.
Detalhe da área central de Arroio do Meio sobre imagem de satélite, com classes de risco e pontos de referência numerados como a prefeitura e a ponte de ferro
Arroio do Meio: classes de risco na sede urbana.

2. Diretrizes preliminares de ocupação prioritária: Arroio do Meio · Colinas · Cruzeiro do Sul · Encantado · Estrela · Muçum · Roca Sales

3. Diagnóstico e leitura técnica — aspectos físicos, sociais, econômicos, infraestrutura, mobilidade e legislação: Arroio do Meio · Colinas · Cruzeiro do Sul · Encantado · Estrela · Muçum · Roca Sales

Mapa de uso rural de Roca Sales com soja, lavouras temporárias, pastagem e silvicultura em cores diferentes
Roca Sales: produção rural (MapBiomas 2023).
Mapa da área urbana de Roca Sales com a evolução urbana em 2004, 2014 e 2024 em amarelo, laranja e vermelho, zonas de alto risco e loteamentos numerados
Roca Sales: evolução urbana 2004–2024 e novos loteamentos.
Mapa coroplético dos setores censitários de Roca Sales em tons de azul com o percentual de domicílios abastecidos por poço, mais escuro no centro rural do município
Roca Sales: domicílios abastecidos por poço (Censo 2022).