↓ Ir para o conteúdo principal
  1. Projetos/

Fragmentação Urbana em uma Cidade Média

Como medir a fragmentação socioespacial ao longo de cinco décadas e relacioná-la às políticas públicas e às dinâmicas de mercado que a produziram?
Período
2021–2025
Local
Santa Cruz do Sul, RS
Parceiros
PROPUR/UFRGS (Doutorado em Planejamento Urbano e Regional)
Meu papel
Pesquisa de doutorado independente: desenho da pesquisa, coleta de dados e banco de dados, indicadores e índice, análise espacial, entrevistas e redação.
Dados
Censos IBGE · Bases da prefeitura · MapBiomas · Google Open Buildings · OpenStreetMap · FEPAM/RS · DAER · Documentos de políticas públicas · Entrevistas semiestruturadas
Ferramentas e métodos
Python · QGIS · PostgreSQL/PostGIS · Índice composto · Métodos mistos

O desafio
#

A segregação costuma ser estudada nas grandes metrópoles. As cidades médias, que crescem rapidamente no Brasil, muitas vezes reproduzem os mesmos padrões com menos atenção. Santa Cruz do Sul, polo da indústria do tabaco com cerca de 130 mil habitantes, permitia acompanhar como uma cidade se dividiu, do boom agroindustrial até hoje.

Abordagem
#

A pesquisa combinou uma leitura histórica da cidade com um modelo espacial quantitativo. Identifiquei três fases do desenvolvimento urbano, construí um banco de indicadores e os sintetizei em um único índice de fragmentação.

Medindo a fragmentação
  1. Periodização

    Documentos e entrevistas definem três fases: 1970–1993, 1993–2013, 2013–2022

  2. Indicadores

    Quatro grupos: ambientais, sociais, habitacionais e de infraestrutura

  3. Síntese

    Síntese espacial quantitativa em um índice de fragmentação (alto, médio, baixo)

  4. Interpretação

    Barreiras, condomínios e habitação de interesse social lidos junto com políticas e mercado

Resultados
#

  • Três fases da fragmentação: ascensão agroindustrial e migração (1970–1993), diversificação econômica e segregação (1993–2013) e consolidação da fragmentação (2013–2022).
  • Barreiras físicas e simbólicas (rodovias, zonas industriais, elementos naturais) que acentuam desigualdades e limitam a integração urbana.
  • Uma forte divisão norte–sul: o norte concentra condomínios fechados e infraestrutura de qualidade para a população de alta renda; o sul concentra loteamentos populares com serviços públicos precários.
  • O índice divide os 144 setores censitários urbanos em 70 de baixa, 54 de média e 20 de alta fragmentação: o centro é o mais integrado; os condomínios fechados do norte e os loteamentos populares do sul e do oeste, os mais fragmentados.
  • A cidade se urbanizou de forma rápida e extensiva: de 12,5 km² em 1985 para 35 km² em 2022 (MapBiomas), com 22 condomínios fechados e 37 loteamentos populares aprovados pela Prefeitura, a maioria entre 1993 e 2013.
  • A segregação persistiu por cinco décadas, reforçada por políticas públicas e pela dinâmica imobiliária, reproduzindo em uma cidade média exclusões típicas das metrópoles.

Por que importa
#

O índice e o banco de dados oferecem um diagnóstico que pode ser atualizado e reutilizado para orientar zoneamento, política habitacional e investimentos em infraestrutura, e o método pode ser aplicado a outras cidades médias.

Depois, reconstruí o índice e as figuras em um pipeline aberto e reproduzível em Python a partir da base da tese, conferido com os números da tese: código e figuras no GitHub.

Figuras
#

Produzidas pelo pipeline aberto acima (legendas internas em inglês).

Mapa dos setores censitários de Santa Cruz do Sul coloridos pelo índice de fragmentação: baixo no centro, alto no norte em torno dos condomínios fechados e no oeste e no sul em torno dos loteamentos populares, com rodovias, zona industrial e Cinturão Verde
Índice de fragmentação socioespacial, com condomínios fechados, loteamentos populares e barreiras urbanas.
Histograma do índice de fragmentação nos 144 setores censitários com limiares em 50 e 55, e barras das pontuações médias ambiental, social, habitacional e de infraestrutura por classe
Como o índice é construído: distribuição e dimensões por classe.
Seis pequenos mapas de setores censitários: domicílios de alta renda e condomínios fechados ao norte; baixa renda, ZEIS e loteamentos populares ao sul e a oeste; áreas de deslizamento em torno do Cinturão Verde
Seis das 23 variáveis do índice.
Mapa da área urbanizada de Santa Cruz do Sul por período: um núcleo compacto urbanizado até 1985 e crescimento para o norte, leste e sul até 2022
Área urbanizada por período, 1985–2022.
Gráfico de barras da área urbanizada, de 12,5 km² em 1985 para 35 km² em 2022, e linhas em degrau da área acumulada de condomínios fechados e loteamentos populares, que crescem sobretudo entre 1993 e 2013
Crescimento urbano e os dois produtos habitacionais que o impulsionaram.
Dois mapas de localização: Santa Cruz do Sul destacada no Rio Grande do Sul, e a área urbanizada no sul do município
Localização de Santa Cruz do Sul.