- Período
- 2021–2024
- Local
- Porto Alegre, RS
- Parceiros
- PROPUR/UFRGS; Observatório das Metrópoles (Núcleo Porto Alegre)
- Meu papel
- Autora principal: levantamento e georreferenciamento, construção da tipologia, análise espacial e estatística, mapas e base de dados aberta.
- Dados
- Imagens Google Earth (2022) · Censo IBGE 2010 (renda por setor censitário) · Prefeitura de Porto Alegre (empreendimentos do MCMV) · OpenStreetMap
- Ferramentas e métodos
- QGIS · Python · Construção de tipologias · Estatística espacial
O desafio#
Os condomínios fechados se tornaram um produto imobiliário dominante nas cidades brasileiras, mas não havia um mapeamento consistente de toda Porto Alegre, muito menos um que distinguisse um conjunto de torres de um grupo de sobrados ou de um condomínio de habitação social. Sem isso, é difícil discutir como o mercado e as políticas públicas moldam a cidade.
Abordagem#
Construí a base do zero, georreferenciando cada condomínio fechado visível nas imagens de satélite e registrando sua forma construída e período de construção. Os condomínios foram então agrupados em uma tipologia e analisados em relação à renda dos bairros.
- Mapeamento
Digitalização de cada condomínio fechado em imagens de satélite (2022)
- Atributos
Horizontal ou vertical, número de pavimentos, período de construção
- Tipologia
Nove tipos de forma construída (A1 a E)
- Análise
Cruzamento com renda censitária, bairros, estrutura viária e empreendimentos do MCMV
- Produtos
Base aberta (Zenodo) e artigo científico
Resultados#
- 1.024 condomínios fechados em 77 dos 94 bairros da cidade: 459 horizontais (casas), 560 verticais (blocos e torres) e 5 mistos.
- Nove tipologias de condomínios fechados, cada uma associada a um segmento social. Os condomínios com equipamentos de lazer tendem ao topo: 60% das torres com equipamentos (B2) e 68% dos conjuntos de casas com equipamentos (C2) estão em setores censitários das duas classes de renda mais altas.
- Uma clara segregação morfológica: condomínios horizontais de pequena escala (sobrados e casas) predominam na Zona Sul, enquanto torres de alto padrão se concentram na Zona Centro-Leste.
- Comparações detalhadas entre bairros contrastantes: Boa Vista e Jardim Europa, ao norte; Tristeza e Camaquã, ao sul.
Por que importa#
A base transforma um fenômeno muito debatido em algo mensurável. Ela está disponível para técnicos, pesquisadores e jornalistas que queiram estudar habitação, segregação ou dinâmica imobiliária em Porto Alegre.
Depois, reconstruí a análise em um pipeline aberto e reproduzível em Python, que confere seus resultados com os números publicados no artigo: código e figuras no GitHub.
- Base de dados aberta no Zenodo
- Faccin, Almeida & Campos (2024): Morfologia urbana e tipologia de condomínios fechados na metrópole de Porto Alegre–RS.
- Lahorgue et al. (2022): situação e perspectivas da habitação em Porto Alegre.
Pesquisas relacionadas sobre produção imobiliária:
- Almeida, Faccin & Campos (2025): studios e apartamentos compactos concebidos como ativos financeiros para renda.
- Almeida, Morlin Filho & Faccin (2025): produção imobiliária em Porto Alegre e os agentes envolvidos.
Figuras#
Produzidas pelo pipeline aberto acima (legendas internas em inglês).







