- Período
- 2025–2026
- Local
- Osório, Tramandaí e Imbé, Litoral Norte do RS
- Parceiros
- Coautoria com Juliana Lombard de Souza e Guilherme Kruger Dalcin
- Meu papel
- Autora principal: desenho da pesquisa, processamento de dados em Python, análise espacial e mapas.
- Dados
- MapBiomas uso e cobertura da terra (1985–2023) · Censos demográficos IBGE (1991–2022) · Google Open Buildings
- Ferramentas e métodos
- Python (GeoPandas, Matplotlib) · Análise de mudança de cobertura do solo · Pipeline reproduzível
O desafio#
O Litoral Norte é uma das regiões que mais crescem no estado. Turismo sazonal, segundas residências e migração permanente formaram uma faixa urbana quase contínua ao longo da costa. A pergunta não era só quanto as cidades cresceram, mas sobre o quê: dunas, restingas e banhados que protegem a costa e são difíceis de recuperar depois de ocupados.
Abordagem#
Processei 39 anos de mapas anuais de cobertura do solo para três municípios vizinhos, cada um com um papel diferente: Osório (polo regional), Tramandaí (principal centro turístico) e Imbé (crescimento sazonal). A mudança de cobertura foi combinada com a evolução populacional dos censos.
- Série temporal
MapBiomas, cobertura anual do solo, 1985–2023
- Processamento
Pipeline em Python: reclassificação, recorte por município, área por classe e ano
- Análise de mudança
Mapas de 1985 e 2023, tendências por classe, crescimento populacional (IBGE)
- Achados
Onde e como a urbanização avançou sobre ecossistemas sensíveis
Resultados#
- A área urbanizada da aglomeração urbana do Litoral Norte cresceu 60%, de 112 km² (1985) para 180 km² (2023).
- A população da região cresceu 25,8% entre 2010 e 2022; a de Imbé se multiplicou por 3,6 entre 1991 e 2022.
- Três padrões distintos: espraiamento disperso e fragmentado em Osório (+79%); crescimento contínuo e adensamento em Tramandaí (+26%); crescimento sazonal e rápido em Imbé (+17%), avançando sobre dunas e restinga (a cobertura de praia e duna caiu 40% em Imbé e 30% em Tramandaí).
- Ao sobrepor a área urbana de 2023 à cobertura do solo de 1985, vê-se o que ela substituiu: 51% da nova área urbana da AULINOR era praia, duna, restinga ou banhado, chegando a 85% em Tramandaí e 76% em Imbé.
Por que importa#
Os resultados são um alerta para o planejamento costeiro: a urbanização avança sobre áreas de alta sensibilidade ambiental, e a conurbação faz com que as escolhas de um município afetem os vizinhos. O artigo defende uma gestão territorial e ambiental integrada, com soluções regionalizadas.
Depois, reconstruí os cálculos em um pipeline aberto e reproduzível em Python, que confere seus resultados com os números publicados no artigo: código e dados no GitHub.
Leia o artigo: Faccin, Souza & Dalcin (2026), Padrões de transformação urbana e de uso e cobertura da terra no litoral norte: o caso de Osório, Tramandaí e Imbé.
Figuras#
Produzidas pelo pipeline aberto acima (legendas internas em inglês).





